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Recomendações

A redução das pressões socioambientais das atividades produtivas no Brasil depende, em grande medida, de mudanças profundas nas políticas econômicas que orientam a oferta de crédito, de incentivos fiscais e técnicos, e de aperfeiçoamentos no sistema de produção. Assim, o Focus apresenta uma série de recomendações gerais, destinadas ao conjunto dos setores analisados que estão disponíveis no documento Caminhos para o agronegócio sustentável: análise integrada da pecuária, soja, cana-de-açúcar e florestas plantadas. Tais recomendações devem ser consideradas para uma análise integrada às apresentadas para a pecuária, objetivando orientar a transição do setor para um modelo de produção mais sustentável e para a abertura de novos negócios que apóiem essa construção.

Técnicas de produção mais eficientes e menos impactantes:

  • Promover a Integração lavoura-pecuária, que se destaca como a principal alternativa ao modelo atual, pois permite o aproveitamento mais intensivo das áreas de cultivo e pastagem. Ela equaciona a demanda por áreas adicionais (contribuindo para a redução das emissões de GEE), ao mesmo tempo em que contribui para restaurar áreas degradadas, reincorporando-as à produção agrícola de alimentos. A destinação de recursos financeiros para subsidiar sua implantação deve vir acompanhada de medidas complementares como a melhoria dos níveis de escolaridade da população rural e do acesso à assistência técnica.
  • Adoção de sistemas agrossilvopastoris, que integram pecuária, lavoura e florestas (de eucalipto, por exemplo), que além de ajudar a recuperar o solo, tem alto potencial de seqüestro de carbono com a formação de matéria orgânica. O sombreamento também contribui para o bem-estar animal.


Redução das emissões de Gases Efeito Estufa (GEE)

  • Recuperar áreas de pastagem degradadas com o cultivo de grãos, como na integração lavoura-pecuária, uma vez que melhora a qualidade do solo, redu a quantidade de metano produzida e aumenta o potencial de seqüestro de carbono.
  • Desenvolver e difundir métodos de manejo que eliminem a prática das queimadas para a renovação de pastagens e controle de pragas, como a trituração da vegetação que, segundo a Embrapa, pode reduzir em cinco vezes a emissão de GEEs.
  • Criar mecanismos para que o setor reporte as emissões de GEE da pecuária, assim como vem fazendo o setor industrial no Brasil. Estas informações podem ser instrumento para a negociação para a criação de um mecanismo de financiamento para recomposição florestal.
  • Estimular a pesquisa para o desenvolvimento de indicadores de degradação de pastagens e genética animal, visando a redução das emissões de metano; a análise do balanço de GEEs nos diferentes tipos de sistemas (pastagem degradada, produtiva, em confinamento e na integração lavoura-pecuária) para a mitigação das emissões de metano.


Certificação e monitoramento

  • Criar um sistema de certificação das propriedades que adotam práticas sustentáveis de produção (manejo de pastagens, tratamento de resíduos, destinação correta das embalagens de agrotóxicos, etc.) e que cumprem a legislação ambiental (RL e APP) para servir de consulta para instituições de crédito e para os diferentes elos da cadeia de consumo.
  • Criar um sistema para a fiscalização dos órgãos ambientais, baseado em técnicas de geoprocessamento, para o monitoramento do desmatamento, principalmente nas áreas onde a expansão da pecuária são mais prementes.
  • Fortalecer a divulgação e consulta à “Lista Suja” do trabalho escravo do Ministério do Trabalho por parte dos frigoríficos e varejistas, para impedir a aquisição de gado criado em propriedades que adotem tais práticas.
  • Desenvolver campanhas voltadas para o mercado consumidor que alertem sobre as fragilidades da produção pecuária, uma vez que o consumidor deve ter um peso preponderante para pressionar produtores e frigoríficos a adotarem medidas que diminuam os impactos ambientais e sociais do setor.


Financiamento e Políticas Públicas

  • Desenhar mecanismos de financiamento e/ou isenção fiscal para que os produtores invistam em tecnologias mais eficientes de produção, evitando que a pecuária bovina siga se expandido da maneira tradicional, ocupando novas áreas de fronteira agropecuária.
  • Assegurar que os investimentos públicos (que são preponderantes para a expansão pecuária) sejam feitos a partir da garantia do cumprimento da legislação ambiental, oferecendo taxas de juros diferenciadas para frigoríficos que compram de produtores que adotam boas práticas de manejo.


Capacitação

  • Investir em pesquisa e na difusão de técnicas mais adequadas de manejo e gestão para os diferentes perfis de produtores (pequenos, médios e grandes), uma vez que muitos deles, além de não terem acesso à informação estão distantes dos grandes centros de pesquisa, sendo excluídos das tecnologias de incremento da produção, esgotando rapidamente suas áreas e toda a cadeia de serviços ambientais de suas propriedades e adjacências.




Fonte: Pecuária Bovina no Brasil: Maior Produtividade com Menor Impacto Socioambiental.



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