A soja traz divisas para o país e, sem dúvida, é um dos pilares de sustentação da balança comercial positiva do agronegócio brasileiro. No entanto, é preciso mudar os paradigmas de produção, considerando os impactos sociais e ambientais associados a essa cultura, de maneira a não comprometer a sua permanência ao longo do tempo.
O FOCUS apresenta uma série de recomendações gerais, destinadas ao conjunto dos setores analisados, que estão disponíveis no documento Caminhos para o agronegócio sustentável: análise integrada da pecuária, soja, cana-de-açúcar e florestas plantadas. Tais recomendações devem ser consideradas para uma análise integrada às apresentadas para aqui para a soja, que são embasadas nos problemas apontados e nas prioridades que vem sendo discutidas pelo setor e servem para orientar a sua transição do setor para um modelo de produção mais sustentável e para a abertura de novos negócios que apóiem essa construção.
- Criar mecanismos de estímulo à substituição da monocultura da soja pelo modelo de integração lavoura-pecuária ou lavoura-pecuária-florestas.
- Instituir uma moratória permanente para a expansão da soja na Amazônia.
- Ao contrário do que prevê a lei Kandir, as exportações de grãos devem ser taxadas, de modo a estimular seu processamento no país e reduzir as exportações do produto em grão. Esta seria uma primeira providência para agregar maior valor às exportações e reduzir a necessidade de ampliação do plantio para efeito de obter receitas de exportações.
- Estimular a criação de cooperativas de produção e comercialização que permitam obtenção de economias de escala, através do compartilhamento de equipamentos agrícolas, insumos e outros.
- Criar, através destas cooperativas, melhores condições para a comercialização do produto, que livrem o pequeno produtor da extrema dependência das grandes empresas de comercialização, que dominam atualmente todos os segmentos da cadeia produtiva do complexo da soja.
- Desenvolver a produção agroecológica, diversificada, livre de transgênicos, adubação química e aplicação de agrotóxicos, que vem despertando de forma crescente o interesse de consumidores interessados na qualidade e sanidade dos alimentos. A produção agroecológica, além de ser orgânica, propõe o plantio da soja associado a diversas outras culturas, preservando ou recuperando também a vegetação original e permitindo a cultura de outros alimentos de consumo local e regional.
- Fortalecer iniciativas como o “selo verde” da RTRS para a soja brasileira originada de áreas legalmente desmatadas e que siga critérios estabelecidos pela sociedade civil.
- Investir no desenvolvimento de metodologias independentes de avaliação do impacto ambiental dos transgênicos, já que é preciso provar que não causam danos à saúde humana e ao meio ambiente. Ademais, o Brasil deve adotar um rígido protocolo de biossegurança antes de liberar o plantio de novas variedades de transgênicos, como vêm fazendo os outros países.
- Privilegiar estudos de impacto sobre questões que tendem a ganhar maior relevância para os países importadores de soja, como os temas de “segurança alimentar” e de “segurança energética” na agenda dos principais atores do comércio internacional e dos organismos multilaterais.
- Investir em técnicas de geoprocessamento para a fiscalização feita pelos órgãos ambientais, de modo a assegurar o monitoramento do desmatamento.
- Fortalecer a divulgação e consulta à “Lista Suja” do trabalho escravo do Ministério do Trabalho, para impedir a aquisição de soja de propriedades que adotem tais práticas.
- Desenvolver campanhas voltadas para o mercado consumidor que alertem sobre os riscos e fragilidades da produção da soja, uma vez que o consumidor deve ter um peso preponderante para pressionar produtores e empresas da cadeia a adotarem medidas de produção que diminuam os impactos ambientais e sociais do setor.
- Exigir que o setor reporte as suas emissões de gases de efeito estufa.
Fonte: Desafios e Oportunidades para a produção da Soja Sustentável no Brasil

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